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Baturité

História

Após a expulsão dos invasores holandeses, a coroa portuguesa iniciou o processo de ocupação definitiva das terras cearenses. Foi uma ocupação missionária. Por solicitação dos colonizadores Inácio Moreira Barros e seu companheiro André Moreira de Moura, concedeu-lhes do Capitão-Mor João de Teive Barreto, uma sesmaria cujos limites abrangiam o centro geográfico a partir do qual se iniciaram futuros povoamentos. Nove anos após, ou precisamente em 1755, instalou-se no mesmo local a Missão de Nossa Senhora da Palma, tendo como finalidade realdear os Índios Jenipapos e Canindés. Em 1759, o Desembargador Bernardo Coelho da Gama e Casco elevou em Vila o reduto, dando-lhe o nome de Monte-Mor o Novo d'América e deixando sob o arbítrio das Vigárias Gerais a antiga Missão Jesuítica. Entretanto, no momento de proceder a conferência em relação ao número de moradores, o que deveria constar obrigatoriamente 50 fogos, verificou-se a inexistência deste quantitativo, o que implicaria na inconsistência legal no fato determinado pelo desembargador.

Inconformados com o resultado decorrente da insuficiência populacional e apoiados na estrutura socialmente construída, clérigos e moradores dirigira-se à Corte, expondo e solicitando o restabelecimento do que antes fora proposto. Desse procedimento e consoante Carta Régia de 6 de agosto de 1763 e Portaria de 15 do mesmo mês e ano, restabeleceu-se o privilégio anterior.. Em edital, publicado a 31 de março de 1784, fixou-se a data de ereção do povoado em Vila definitivamente. Vencidos os prazos, consignados em lei, deu-se de fato e de direito o que de modo satisfatório viria ao encontro das comuns aspirações. O antigo reduto missionário chamava-se Monte-Mor o Novo d'América. Sua elevação à categoria de município ocorreu em 9 de agosto de 1858, alterando o nome para Baturité.
 
Por causa do clima ameno e da água em abundância, Baturité, e outros municípios vizinhos, serviram de refúgio para populações sertanejas de cidades como Canindé e Quixadá, que ali se abrigaram durante a seca dos três setes (estiagem que castigou o sertão de 1777 a 1793). Um marco da presença católica no município é o grupo de igrejas, conventos e mosteiros que ainda resistem ao tempo e alguns deles convertido em hospedarias nos dias atuais.

No início do século XIX, Baturité passou a ter como atividade econômica principal a cultura do café. Na época, a cidade tornou-se um importante produtor nacional, chegando a deter 2% de toda a produção brasileira e torna-se um dos municípios mais prósperos do Estado. Contudo, viu-se a necessidade do escoamento da produção, não podendo ser feita pelas precárias estradas da época. Assim, em 1870, um grupo de comerciantes lança a proposta de construir a primeira ferrovia no Estado, constituindo juridicamente a Companhia Cearense da Via Férrea de Baturité S.A., interligando Baturité a capital, Fortaleza.